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Cinema e Gastronomia: A festa de Babette

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Por Alessandro Bertolotto

O filme “A Festa de Babette” para mim é o que mais se aproxima de ter alma e coração de um Chef de cozinha, apesar de ser um conto da escritora Karen Blixen, a mesma retrata com paixão e alma a palavra CHEF. Primeiro filme dinamarquês a ganhar um Oscar como melhor filme estrangeiro em 1988 e o festival de Cannes em 1987. O conto se passa em 1871 em um vilarejo do qual seus moradores são exacerbadamente fervorosos em sua religião e com seu pastor que comanda seu rebanho com austeridade, ali se demostra o pior que um ser humano pode ter de sentimentos. O inicio do filme vai mostrando todos os personagem que estarão na festa de Babette, que chega neste vilarejo por uma tragédia em sua vida e começa a trabalhar para duas irmãs solteironas e já com uma certa idade, que são filhas do pastor. Eis que essas irmãs fazem sopas e cremes para os moradores mais velhos do local e ensinam Babette a fazer esses caldos e ela humildemente aceita as receitas e durante 14 anos, faz aquilo daquela maneira até algo mudar seu destino – não posso comentar o que é, pois daria spoiler. Babette então decide dar um jantar francês para comemorar a data de 100 anos do pastor e pede para tirar uns dias em Paris, ela retorna com ingredientes frescos para seu banquete, neste momento demonstra como é trabalhoso escolher e cozinhar o que chamamos de alta gastronomia, pois existe toda uma preparação antes das pessoas estarem degustando e se deliciando com os pratos. Costumo dizer que neste momento, o maior barulho para um Chef é o silencio sepulcral, pois é sinal que seu trabalho foi perfeito. Lembro-me de um evento que fiz na Seguros Unimed para 45 pessoas, servindo Tournod Rossini que é um prato de 150 anos que vai foie gras e trufas e calei as mesmas sem nenhuma palavra se quer, aquele silencio foi música para meus ouvidos.
O menu servido no filme é algo de extraordinário; Sopa de tartarugas, blinis de caviar e creme de leite, codorna no sarcófago com foie gras e trufas e um savarin ao rume, tudo harmonizado com vinho para cada prato. No final Babette diz a seguinte frase “um artista nunca será pobre “, só vai entender tudo que relatei aqui quem assistir ao filme, só jogar no Google e assistir. Prometo replicar a codorna no sarcófago para a Revista Paparazzi.

Alessandro Bertolotto – Autor do texto.