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Os hábitos de consumo pós-Pandemia: Qual será o perfil do Novo Consumidor?

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As mudanças na rotina dos brasileiros provocadas pela pandemia da COVID-19 devem se manter mesmo após o fim da crise sanitária. Por mais que a vacinação traga segurança à população, trabalhar de casa, estudar a distância e fazer compras de produtos e serviços pela internet são alguns hábitos que dificilmente serão deixados. A pandemia acelerou essa mudança no comportamento dos consumidores que já estava em curso com a digitalização.

Sem previsão de erradicação, a pandemia está criando um novo perfil de consumidor: mais ansioso, mais imediatista, mais prático, mais digital e que busca priorizar a satisfação pessoal.

Consumidores de classe mais alta de renda pretendem aumentar gastos com viagens, transporte, restaurantes, cinema e atividades sociais após maioria dos brasileiros estarem vacinados contra Covid-19, enquanto as classes mais baixas têm intenção de aumentar o consumo de alimentos.

Essa realidade tem total relação na forma como as empresas, de maneira geral, se relacionam com seus consumidores. Muitas tiveram de se reinventar ou acelerar sua digitalização. Não apenas para entregar melhor experiência para seu público consumidor, mas também para seus colaboradores.

Um consumidor mais digital

As empresas precisarão pensar em novas formas de identificar as necessidades do novo consumidor.

O trabalho de empoderamento digital do usuário cresceu ainda mais, e as marcas poderão tirar vantagem disso, isto é, criar ou aperfeiçoar canais digitais de relacionamento para que esse processo continue evoluindo, por isso, relacionei algumas dessas tendências que observo como promissoras e que devem ser levadas em consideração pelos empresários de todos os tipos de negócios:

 

Geração Hiperconectada

Antes da pandemia o consumo já estava concentrado, em grande parte, na chamada Geração C, ou Geração Conectada. Com todas as mudanças impostas na rotina, acelerando a digitalização generalizada, agora passamos para uma Geração de consumidores hiperconectados, ou seja, as pessoas agora priorizam o digital como meio de efetuar pagamentos, adquirir produtos, serviços, se relacionar e se divertir.

Outro ponto curioso são os 60+, faixa etária que foi destaque no aumento em compras online, cerca de 71% deles fizeram compras pelo celular em 2020, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Ainda de acordo com a pesquisa, 88% dessa faixa etária são os responsáveis pelo controle das finanças de suas famílias e são os decisores de compra. Ou seja, é preciso estar atento a este público que é novo para o online e focar em estratégias para este público poderoso.

 Priorização da saúde mental e satisfação pessoal

Se uma coisa foi repensada por muitos durante a pandemia, com certeza, foi a questão da saúde mental. Dados da pesquisa “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, feita pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), mostraram que 6 em cada 10 jovens relataram ter sentido ansiedade e feito uso exagerado de redes sociais durante a pandemia. Agora, eles dizem buscar priorizar a saúde mental e satisfação pessoal. Para o setor de consumo, isso se traduz numa maior busca por produtos e serviços focados no bem-estar, estética, saúde e lazer.

No turismo, já se fala que viagens de negócios irão representar uma parte menor das vendas para companhias aéreas e que as viagens a lazer deverão ser o foco. O mesmo se aplica para os hábitos de consumo que já estão começando a ser mais pautados num estilo de vida mais saudável e sustentável.

Responsabilidade Social e Sustentabilidade são fatores decisivos para o Novo Consumidor

Outro ponto a destacar é o olhar mais responsável que as pessoas passaram a ter sobre suas compras. Inúmeras pesquisas mostram que os consumidores atuais preferem empresas que possuem políticas de responsabilidade social, que apoiem ONGs e se preocupem com a sustentabilidade desde o processo de produção, prezando pela conduta das organizações na pandemia e em prol da sociedade no geral.

Um instituto de pesquisas tecnológicas global apontou que 79% dos consumidores dizem estar mudando as suas preferências de compra com base nesses critérios de responsabilidade social, inclusão e impacto ambiental das marcas. Assim, além dos consumidores, a pandemia também despertou nas próprias empresas essa consciência de entregar valores, entender seu papel na sociedade, reforçando o papel das empresas de atores sociais importantes.

Consumo sem Rótulos

A diversidade vem sendo estampada cada dia mais nas marcas, os consumidores são mais exigentes e motivados a comprar produtos da forma que bem entenderem, de acordo com os próprios gostos, sem distinções por sexo por exemplo. Essa é uma tendência de mercado, que só vai crescer e aumentar, sendo essencial que as empresas tragam itens sem gênero e produtos abrangendo todos os tipos de públicos.

Consumo inteligente visando mais benefícios e descontos

O consumo está mais inteligente, ou seja, as pessoas estão pesquisando mais na hora de comprar e estão dando prioridade para consumir onde elas têm mais benefícios de compras, como o Cashback, cupons de descontos, entre outros. Esses são recursos de fidelização de clientes, que passa a ser ainda mais essencial nessa nova era do consumo pós pandemia. Esse comportamento já vinha começando a ser mais comum no Brasil, mas, com a pandemia e a crise econômica, ganhou ainda mais força.

Digital e sem contato

O distanciamento social acelerou os processos de digitalização. Pessoas que não estavam acostumadas a usar serviços digitais tiveram seu primeiro contato com lojas virtuais para manter a segurança nas compras. No setor financeiro, os serviços digitais também tiveram que avançar nesse período, viabilizando as Carteiras Digitais, QR Codes, Contactless, Links de Pagamento, Pix, dentre outros.

O auge da experiência

Quando a pandemia passar e todas as atividades forem retomadas, a oportunidade de viver experiências fora de casa será ainda mais valorizada.

O desejo de aproveitar a vida pode estimular tendências de moda, esportes radicais, tatuagens. Entretanto, a retomada vai exigir cuidados e regras de segurança.

Oportunidades e mais desafios em 2022

As empresas terão o desafio de criar experiências que sigam as novas normas de convivência. Ao mesmo tempo, o desejo de conexão será uma oportunidade para reforçar o relacionamento com o público.

2021 têm deixado claro todas essas mudanças, e não há mais volta. As empresas que não conseguirem acompanhar essas rápidas mudanças, sobretudo do comportamento do consumidor, não conseguirão entregar o que o público precisa. O mundo mudou radicalmente e o digital passou a ser peça-chave nas operações. A criação de soluções, que já era acelerada, teve seu prazo encurtado ainda mais. Os negócios que não conseguirem pensar em novas ofertas de produtos e serviços que sejam digitais não conseguirão se manter competitivas.

Conceitos como a hiperpersonalização, que oferece experiência de consumo personalizada, em tempo real, com foco individual, será a bola da vez, sem negligenciar as questões regulatórias e de privacidade de dados.

Todas essas tendências são grandes desafios para as empresas, mas também oportunidades para oferecer diferenciais maiores ainda após a pandemia.


por: Alexandre Ferreira

Gestor de Marketing
Especialista em Marketing
Instagram: @alexandre.taurus